A indústria que leva a carne de Mato Grosso do Sul para o mundo
Foi dentro dos frigoríficos que Mato Grosso do Sul ampliou sua capacidade de produzir, conquistar mercados internacionais e agregar valor a uma atividade que acompanha a trajetória do Estado desde muito antes de sua criação.
Hoje, as 136 empresas da indústria frigorífica sul-mato-grossense empregam mais de 40 mil trabalhadores e movimenta exportações que saltaram de US$ 196,1 milhões para US$ 2,47 bilhões entre 2006 e 2025, crescimento de 1.157%. O setor é responsável por uma fatia de 16% do PIB industrial do Estado.
Papel decisivo da tecnologia
Os dados chamam atenção porque o crescimento não aconteceu por meio de uma expansão acelerada do número de plantas industriais. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), Régis Comarella, a produção cresceu devido ao aumento da capacidade das unidades já instaladas.
Processos antes realizados manualmente passaram a ser automatizados em praticamente todas as etapas da produção. Linhas de abate, desossa, embalagem, refrigeração e congelamento incorporaram equipamentos capazes de acelerar operações e elevar os padrões de qualidade.
“A automação mudou completamente a rotina dos frigoríficos. Atividades que antes eram feitas manualmente, desde etapas da linha de abate até a retirada de membranas e a embalagem dos produtos, passaram a ser realizadas por máquinas. Na desossa e no empacotamento a vácuo, por exemplo, os equipamentos deram muito mais velocidade ao processo. Saímos de um ciclo por minuto para até quatro ciclos por minuto”, afirma Régis Comarella.
Outro exemplo de eficiência citado pelo presidente do Sicadems é a etapa de congelamento da carne. Equipamentos mais modernos reduzem de 72 para 24 horas o tempo necessário para o processo. Com isso, a indústria ganha em competitividade e eficiência para atender a demanda do mercado.
A expansão das grandes plantas
O aumento da produtividade também pode ser observado na expansão das operações instaladas em Mato Grosso do Sul. Entre os exemplos está a JBS, que mantém uma estrutura formada por 14 fábricas das marcas Friboi, Seara e JBS Novos Negócios, além de um centro de distribuição, um confinamento, dois incubatórios e operações logísticas distribuídas em 10 municípios sul-mato-grossenses. Ao todo, a companhia emprega cerca de 18 mil colaboradores no Estado.
Um dos símbolos desse crescimento é a unidade Campo Grande II. Após receber investimentos para ampliação da capacidade produtiva, a planta se tornou a maior unidade de processamento de carne bovina da América Latina.
A presença da companhia também se estende ao campo. Mais de 5 mil pecuaristas fornecedores e 550 produtores integrados participam da cadeia produtiva ligada às operações da empresa no Estado.
Em 2024, a série de reportagens do programa Indústria que Transforma, da Fiems, contou a história da Friboi, do grupo JBS, que multiplicava sua capacidade de processamento e força de trabalho em Campo Grande. Assista ao vídeo!
Evolução também no campo
Régis Comarella explica que o perfil do rebanho ajudou o Estado a aproveitar a expansão do mercado chinês. A exigência de animais mais jovens favoreceu produtores locais, que adotaram sistemas mais intensivos e reduziram a idade de abate.
O resultado foi a abertura de oportunidades comerciais que impulsionaram toda a cadeia produtiva.
Hoje, 9 plantas frigoríficas instaladas em Mato Grosso do Sul estão habilitadas a vender carne para a China, principal destino da proteína bovina brasileira. Segundo o dirigente, entre 95 e 98% dos animais destinados a esse mercado atendem aos requisitos exigidos pelos compradores chineses.
O avanço das exportações ajudou a reposicionar o Estado entre os principais polos brasileiros de proteína animal. Atualmente, Mato Grosso do Sul responde por cerca de 10% da produção nacional de carne bovina. Além disso, em 2025 a produção bateu recorde: mais de 1,06 milhão de toneladas de carne bovina, o maior volume da história do Estado.
Segundo o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende, esse resultado demonstra a capacidade da indústria local de agregar valor à produção agropecuária e ampliar sua presença no mercado global.
“O fato chama ainda mais atenção porque ocorreu enquanto parte do território antes ocupada pela pecuária foi convertida para agricultura, florestas plantadas e cana-de-açúcar. Ainda assim, a produção de carne seguiu avançando graças aos ganhos de produtividade”, destacou Ezequiel Resende.
A trajetória dos frigoríficos ajuda a contar a própria história de Mato Grosso do Sul. Em um Estado que nasceu com vocação pecuária, a indústria transformou volume em valor. As novas tecnologias impulsionam a competitividade e aumentam a presença dos produtos locais no mercado nacional e internacional.
“Parabenizo a indústria, os produtores, os trabalhadores e todos que fazem parte dessa cadeia e ajudam a construir o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Nestes 49 anos, o Estado consolidou uma trajetória de crescimento baseada em trabalho, dedicação e vocação produtiva. Temos um potencial gigantesco e estamos no caminho certo para atrair investimentos e gerar novas oportunidades de crescimento”, concluiu Régis Comarella.
