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Histórias da indústria

Valiosa e estratégica

Como o minério de ferro de Corumbá projetou a indústria extrativa mineral sul-mato-grossense e colocou o Estado na corrida mundial por aço de melhor qualidade

Muito antes de Mato Grosso do Sul se destacar pela celulose ou pela bioenergia, uma riqueza escondida sob os morros de Corumbá já ajudava a movimentar a economia regional. Foi das jazidas localizadas na borda do Pantanal que emergiu uma atividade capaz de atravessar gerações e acompanhar a trajetória do Estado há mais de um século.

Hoje, porém, a mineração vive um novo capítulo. O minério de ferro extraído em Corumbá não é apenas mais um produto de exportação. Ele passou a ocupar uma posição estratégica em uma transformação que ocorre na indústria global.

Afinal, por que um minério extraído na região pantaneira se tornou cada vez mais valioso para a indústria pelo mundo afora?

Uma riqueza que atravessa gerações

A história da mineração confunde-se com a própria história econômica de Mato Grosso do Sul. A descoberta das primeiras jazidas remonta ao final do Século XIX, mas a extração de minério de ferro e manganês ganhou escala a partir dos anos 1970, no Maciço do Urucum, ampliando a participação do segmento na economia de Corumbá e Ladário.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Extrativas de Corumbá e Ladário, Jair Panucci, a mineração continua sendo um dos pilares do desenvolvimento regional.

"Nosso estado é mineralogicamente muito rico"
Jair Panucci
Presidente do Sindicato das Indústrias Extrativas de Corumbá e Ladário

Nas últimas duas décadas, a atividade ampliou sua relevância econômica. Entre 2006 e 2025, as exportações de minério de ferro e manganês de Mato Grosso do Sul cresceram 218% em volume.

Hoje, as 144 empresas da indústria extrativa mineral sul-mato-grossense empregam mais de 4,6 mil trabalhadores e injetam na economia R$ 221,4 milhões em salários anualmente. O setor é responsável por uma fatia de 1,9% do PIB Industrial do Estado.

0 +

trabalhadores na indústria da mineração

R$ 0 Mi

massa salarial anual

0 %

do PIB Industrial de MS

O minério que o mundo passou a procurar

A valorização recente da mineração sul-mato-grossense está ligada a uma característica que não pode ser reproduzida por tecnologia nem criada artificialmente: a qualidade do minério encontrado em Corumbá.

O minério de ferro produzido nas minas de Urucum e Santa Cruz, operadas pela Lhg Mining, possui teor médio de aproximadamente 66% de ferro e baixos níveis de impureza. Esse índice é superior ao padrão internacional de referência e considerado altamente competitivo pela indústria siderúrgica. Além disso, parte da produção é de minério granulado, que pode ser utilizado diretamente nos altos-fornos. As reservas da Lhg somam 541 milhões de toneladas.

66%

Teor de ferro

com baixos níveis de impureza

0 Mi

Toneladas em reservas da Lhg

Na prática, quanto maior a concentração de ferro e menor a presença de impurezas, maior a eficiência na produção do aço, com menor consumo de combustíveis e potencial redução das emissões de carbono. Essa qualidade coloca o minério sul-mato-grossense como o melhor do país e amplia sua competitividade no mercado internacional.

A qualidade do minério também favorece um processo de beneficiamento mais simples. Atualmente, entre 80% e 90% da produção da Lhg Mining é processada a seco, reduzindo o uso de água e dispensando barragens de rejeitos. A operação conta ainda com investimentos em equipamentos, renovação da frota e novas estruturas de beneficiamento.

O salto que reposicionou a mineração sul-mato-grossense

Nos últimos anos, a mineração viveu um dos ciclos de crescimento mais expressivos de sua história.

Controlada pela J&F desde 2022, a Lhg Mining elevou sua produção anual de cerca de 2 milhões para 12 milhões de toneladas de minério de ferro. A companhia trabalha para alcançar, nos próximos anos, 25 milhões de toneladas de produção anual. Os avanços devem reposicionar Mato Grosso do Sul entre os principais produtores minerais do país.

O novo ciclo de expansão é capaz de gerar impactos diretos na economia regional, como explica o presidente da Lhg Mining, Darlan Carvalho.

“O crescimento da mineração precisa se traduzir em desenvolvimento para Mato Grosso do Sul. À medida que ampliamos nossa operação, também fortalecemos a geração de empregos, a qualificação profissional, a cadeia de fornecedores e a economia regional. Nosso compromisso é crescer junto com o Estado, mantendo uma relação próxima e responsável com as comunidades e contribuindo para ampliar as oportunidades e o desenvolvimento da região”, afirmou o presidente da companhia.

Produção anual de minério de ferro - Lhg

Em milhões de toneladas

O rio que liga Corumbá ao mercado internacional

Boa parte dessa história da mineração passa pela logística. Se a riqueza mineral está sob as montanhas de Corumbá, o caminho até os compradores internacionais começa nas águas do Rio Paraguai.

A operação da Lhg Mining utiliza a Hidrovia Paraguai-Paraná para transportar minério até o porto de Nueva Palmira, no Uruguai, de onde a carga segue para mercados internacionais.

A importância da hidrovia aparece também entre as principais preocupações do setor. Para Jair Panucci, investimentos que garantam melhores condições de navegação serão decisivos para sustentar a expansão da produção nos próximos anos.

A mineração que sustenta outros ciclos industriais

Embora o minério de ferro tenha maior visibilidade, a indústria sul-mato-grossense abrange outros produtos da mineração, como calcário, brita, areia, fosfato, entre outros. A produção abastece atividades que vão da construção civil à agricultura.

Segundo Jair Panucci, o crescimento acelerado da agroindústria e da infraestrutura viária tem ampliado a demanda por insumos minerais produzidos localmente.

A mineração fornece a base necessária para a construção civil dar suporte à expansão de diversos segmentos que hoje lideram os investimentos no Estado, como a indústria da celulose.

“Nosso Estado é muito rico e pujante. A indústria extrativista tem acompanhado o ritmo de crescimento do Estado e aproveitando as oportunidades de desenvolvimento. Nosso grande desafio enquanto sindicato é estar mais próximo das indústrias, enxergando as oportunidades, pensando em economia circular e fortalecendo a representatividade setorial”, disse Jair Panucci.

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