Indústria da celulose redesenha o panorama econômico e coloca Mato Grosso do Sul em evidência global
O fenômeno é tão marcante que o leste do Estado passou a ser conhecido como Vale da Celulose, numa referência ao Vale do Silício, nos Estados Unidos. A comparação ajuda a entender como uma atividade industrial foi capaz de atrair investimentos bilionários, impulsionar novos negócios e criar um corredor de desenvolvimento que continua avançando no mapa.
Os números evidenciam essa transformação. O setor conta com 30 empresas e 20 mil trabalhadores formais, atuando nas áreas industrial e florestal. A participação no PIB Industrial de Mato Grosso do Sul é estimada em 13,9%, segundo os dados mais recentes.
O crescimento do setor ainda está longe de atingir seu limite. O presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Estado de Mato Grosso do Sul (Sinpacems), Élcio Trajano Júnior, afirma que a entrada em operação dos novos empreendimentos em construção deverá ampliar ainda mais a relevância de Mato Grosso do Sul no mercado nacional.
Três Lagoas, a porta de entrada do Vale da Celulose
A história da celulose em Mato Grosso do Sul começa em Três Lagoas. Foi no município que os primeiros grandes investimentos do setor encontraram condições para crescer, a partir de 2009. A maior cidade do leste do Estado contou com uma combinação rara entre disponibilidade de terras para florestas plantadas, logística favorável e ampla oferta de energia.
Com a entrada em operação de indústrias e a expansão das florestas de eucalipto, Três Lagoas passou a atrair fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e mão de obra especializada. O município consolidou uma cadeia produtiva que extrapolou os limites da indústria de base florestal e criou um ambiente propício para novos investimentos, tornando-se referência nacional na produção de celulose.
Para Élcio Trajano Júnior, a força econômica do setor está justamente na integração entre campo e indústria.
Suzano e a transformação acelerada de Ribas do Rio Pardo
A nova fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, inaugurada em 2024, tornou-se um dos marcos mais recentes do processo de expansão da cadeia da celulose pela região leste.
Durante a fase de construção, o empreendimento mobilizou mais de 10 mil trabalhadores e demandou uma ampla estrutura de apoio. A operação da fábrica gera atualmente cerca de 3 mil empregos diretos, entre colaboradores próprios e terceiros.
Hoje, a Suzano possui três fábricas em Mato Grosso do Sul, sendo duas em Três Lagoas e uma em Ribas do Rio Pardo, com capacidade para produzir 5,8 milhões de toneladas de celulose por ano. A companhia declara seu orgulho em ter sido uma das primeiras empresas do setor a apostar no potencial produtivo do Estado.
A dimensão das mudanças vividas por Ribas do Rio Pardo foi resumida pelo diretor Industrial Regional Sul da Suzano, Maurício Miranda:
Em 2024, o programa Indústria que Transforma, da Fiems, produziu uma série de reportagens sobre a transformação de Ribas do Rio Pardo com a chegada da Suzano ao município. Assista!
A Suzano investiu em Ribas do Rio Pardo mais de R$ 300 milhões em parceria com a prefeitura, o Governo do Estado e instituições locais. Desse total, R$ 57,3 milhões correspondem aos 21 projetos do Programa de Infraestrutura Urbana, parte do Plano Básico Ambiental (PBA), nas áreas de saúde, educação, desenvolvimento social, habitação e segurança pública. A companhia também fez investimentos voluntários em geração de renda e combate à pobreza, além da construção de moradias.
A transformação também alcançou a qualificação profissional, a infraestrutura urbana e a preparação da cidade para receber uma população crescente e novas atividades econômicas.
A Casa de Apoio ao Trabalhador, criada em 2024, já beneficiou mais de 15 mil pessoas com cursos e apoio no ingresso ou retorno ao mercado de trabalho. Ainda na área da qualificação, a parceria entre Suzano e Senai ofereceu cursos para operadores de máquinas, mecânicos e profissionais de silvicultura e colheita florestal, além de formações técnicas em mecânica, elétrica, automação e química. Quem passa por esses cursos disputa vagas qualificadas sem precisar deixar a cidade.
Eldorado Brasil e a consolidação de uma cadeia produtiva
A presença da Eldorado Brasil mostra os efeitos de longo prazo da presença da celulose na economia sul-mato-grossense.
Desde a inauguração da pedra fundamental de sua fábrica em Três Lagoas, em 2010, a companhia construiu uma extensa rede de fornecedores, prestadores de serviço e parceiros comerciais. Atualmente, a empresa conta com mais de 5 mil colaboradores diretos, mantém relacionamento com mais de 17,5 mil fornecedores cadastrados e possui mais de 2,6 mil parceiros sediados em Mato Grosso do Sul.
Para o gerente de Sustentabilidade da companhia, Fábio José de Paula, o crescimento da empresa está conectado ao desenvolvimento regional.
Em 2024, o programa Indústria que Transforma, da Fiems, contou a história da Eldorado em Três Lagoas, com destaque para seu projeto inédito de energia limpa, utilizando 100% do eucalipto. Mostramos ainda o apoio da empresa a comunidades locais. Assista!
A Eldorado Brasil mantém compromisso com a geração de empregos e com o desenvolvimento regional por meio de programas de qualificação profissional, incentivo à agricultura sustentável, empreendedorismo rural, educação ambiental, voluntariado e segurança alimentar.
Entre os programas desenvolvidos pela empresa no Estado, destaca-se o Programa Eldorado de Sustentabilidade (PES), criado para contribuir para a educação em temas socioambientais. A iniciativa alcança mais de 55 mil pessoas, entre alunos dos ensinos fundamental e médio, colaboradores e moradores das áreas de influência da companhia em Mato Grosso do Sul.
Também na área da educação, o projeto Valores Eldorado na Escola está presente nas escolas municipais de municípios como Selvíria e Aparecida do Taboado, onde a empresa atua, abrindo diálogo sobre temas como sustentabilidade, integridade e o negócio florestal.
Ao longo de sua trajetória, a Eldorado alia eficiência operacional, inovação e sustentabilidade ao compromisso com o desenvolvimento regional e a valorização das pessoas.
Os novos caminhos do Vale da Celulose
A chilena Arauco está erguendo no município de Inocência o Projeto Sucuriú. O empreendimento terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano e deverá gerar mais de 14 mil postos de trabalho durante as obras. Após a entrada em operação, prevista para o final de 2027, a estimativa é de aproximadamente 6 mil empregos permanentes nas áreas industrial, florestal e logística. São US$ 4,6 bilhões dedicados à construção da maior fábrica do mundo construída em etapa única.
Entre os megaprojetos anunciados para o Vale da Celulose estão a fábrica da Bracell, em Bataguassu, com investimentos estimados em R$ 25 bilhões. Estimativas do governo do Estado apontam que Mato Grosso do Sul teria capacidade produtiva para comportar novas unidades do ramo.
