← Voltar para as histórias

Histórias da indústria

Pioneira e inovadora

Indústria da bioenergia nasceu com Mato Grosso do Sul e mantém vocação para abrir novos caminhos

Quase ao mesmo tempo da criação de Mato Grosso do Sul, uma indústria começava a firmar raízes no território do novo Estado. Famílias empreendedoras desbravaram fronteiras para construir usinas quando o uso da cana-de-açúcar para a produção de combustível ainda era uma aposta.

Cinco décadas depois, o setor reúne 22 usinas em operação e emprega diretamente mais de 22,3 mil trabalhadores no processamento de cana e milho. Com salário médio de R$ 4.239 e massa salarial anual de R$ 1,23 bilhão, a indústria da bioenergia responde por uma participação estimada de 18,9% no PIB Industrial de Mato Grosso do Sul em 2023.

A combinação entre incentivos públicos, disponibilidade de terras, condições naturais favoráveis e disposição para empreender criou as bases de uma indústria que hoje produz etanol, açúcar e bioeletricidade. E avança sobre novas possibilidades, como etanol de milho, biogás e biometano.

0 +

trabalhadores na indústria da bioenergia

R$ 0 Bi

massa salarial anual

0 %

PIB Industrial de MS

Uma indústria mais antiga que o próprio Estado

A primeira indústria bioenergética no território sul-mato-grossense nasceu em 15 de julho de 1976, pouco mais de um ano antes da promulgação da lei que criou Mato Grosso do Sul. Recebeu o nome de Destilaria Aquárius, e anos depois foi rebatizada como Usina Sonora.

Em 1979, o engenheiro civil Francisco Giobbi ingressou na sociedade. Ao assumir o empreendimento, percebeu que a instalação de uma usina em uma área pouco povoada exigia mais do que máquinas e lavouras. Era necessário criar condições para que os trabalhadores construíssem suas vidas ali.

Luca Giobbi, diretor da Usina Sonora e filho de Francisco Giobbi, relembra a determinação do pai em investir na qualidade de vida dos trabalhadores.

“Meu pai chegou a construir e doar casas prontas para os funcionários virem”
Luca Giobbi
Diretor da Usina Sonora

A partir desse movimento iniciado por Francisco Giobbi, começaram a surgir vilas de casas, escolas, serviços de saúde, segurança e espaços de lazer no entorno da usina.

O núcleo urbano foi transformado em distrito do município de Pedro Gomes em 1985. A emancipação veio em 1988. Assim nasceu Sonora, município que carrega no nome e na história a ligação com a usina.

A persistência transformou a destilaria em um complexo que atualmente processa cerca de 2 milhões de toneladas de cana por ano. A empresa também produz 85 milhões de litros de etanol hidratado, aproximadamente 2,5 milhões de sacas de açúcar e exporta 70 mil megawatts-hora de energia. O grupo ainda possui uma central de geração hidrelétrica e uma usina fotovoltaica.

Cana

2 milhões de toneladas de cana por ano

Etanol

85 milhões de litros de etanol hidratado por ano

Açúcar

2,5 milhões de sacas por ano

Energia

70 mil megawatts-hora de energia exportados por ano

Em 2024, o programa Indústria que Transforma, da Fiems, contou a história da criação do município de Sonora, impulsionado pela instalação da Usina Sonora. Mostramos o impacto direto do setor na construção do Mato Grosso do Sul que conhecemos hoje. Assista ao vídeo!

Raízes que continuam crescendo

O maior legado da Usina Sonora pode ser conhecido pela própria existência do município, mas a relação com a comunidade não ficou no passado. Atualmente, a empresa mantém 1.650 empregos diretos em uma cidade de cerca de 15 mil habitantes. Considerados os postos indiretos, estima-se que a atividade alcance aproximadamente 3 mil pessoas. Ou seja, um em cada cinco moradores de Sonora têm ligação com a usina.

O trabalho social desenvolvido pela usina segue uma visão trazida por Francisco Giobbi, de incentivar a permanência dos trabalhadores e de suas famílias na cidade. Esse apelo é criado por meio de projetos nas áreas educacional, profissionalizante e ambiental.

Hoje, a empresa oferece 72 bolsas integrais de estudo para filhos de colaboradores em escolas particulares, do ensino fundamental ao médio. Além disso, mantém em parceria com o poder público uma creche que atende mais de 150 crianças.

0

empregos diretos

0 crianças

atendidas em creche mantida pela usina

0 bolsas

integrais de estudo para filhos de colaboradores em escola particular

O projeto Educa Mais oferece atividades no contraturno escolar para crianças e adolescentes, com reforço escolar, música, artes e pintura. A usina também apoia instituições locais, promove ações de qualificação profissional e faz parcerias para formar mecânicos, eletricistas e jovens aprendizes. No futuro, esses profissionais poderão conquistar uma vaga de emprego na própria usina.

A empresa também desenvolve ações ambientais, como plantio de mudas, conservação de áreas de preservação permanente e reservas legais, prevenção e combate a incêndios, gestão de resíduos e controle de emissões.

“Nossa base não mudou. Os valores continuam os mesmos. A gente continua muito ativo, olhando para o nosso colaborador, mas também para a sociedade onde estamos inseridos. Esse é um dos nossos propósitos”
Luca Giobbi
Diretor da Usina Sonora
Uma usina reconstruída com trabalho

A história da Energética Santa Helena, em Nova Andradina, também é marcada pela decisão de uma família de apostar no potencial de Mato Grosso do Sul. No início da década de 1990, Benedito Coutinho deixou o negócio familiar em Alagoas para procurar novas oportunidades.

Ele percorreu diferentes estados até encontrar, em Nova Andradina, uma usina em situação financeira crítica. A indústria estava montada, porém, dispunha de cana suficiente para utilizar apenas cerca de 10% da capacidade. Sem capital para comprar o empreendimento, Benedito assumiu a operação e suas dívidas.

O diretor da Energética Santa Helena e filho do fundador, Luís Ricardo Coutinho, enaltece o espírito empreendedor do pai.

“Ele visualizava um grande potencial, mas também foi levado pelas condições que tinha para empreender. Era a oportunidade de assumir o negócio pelo passivo.”
Luís Ricardo Coutinho
Diretor da Energética Santa Helena

A recuperação do negócio exigiu dedicação integral. Enquanto a família permanecia em Recife, Benedito mudou-se para Nova Andradina e passou a viver a rotina da usina. Em 1993, os familiares vieram para Mato Grosso do Sul, mas ele continuou durante a semana no município, retornando a Campo Grande quando conseguia.

A trajetória teve expansões, crises e recomeços. A família operou outra unidade em Nova Alvorada do Sul, participou da implantação de uma usina em Rio Brilhante e enfrentou um processo de recuperação judicial. Depois de reorganizar as finanças, a governança e os custos, voltou a investir na Santa Helena.

Quando Benedito assumiu a unidade, em 1992, ela processava aproximadamente 218 mil toneladas de cana-de-açúcar por ano. Atualmente, são cerca de 2,2 milhões de toneladas. A antiga destilaria, antes dedicada exclusivamente ao etanol, passou a produzir etanol hidratado e anidro e açúcar VHP, de alto teor de sacarose. A empresa mantém aproximadamente 1.250 trabalhadores e estuda instalar uma fábrica de etanol de milho integrada à unidade, aproveitando o excedente de biomassa disponível.

Riqueza compartilhada

Benedito Coutinho faleceu em 2015, mas deixou uma estrutura de sucessão baseada na atuação conjunta de Luís Ricardo, Marcelo e Bruno Coutinho. As decisões estratégicas são tomadas por consenso, em uma gestão que reúne as áreas comercial e institucional, financeira e operacional.

Para Luís Ricardo, o grande segredo do grupo é preservar e dar continuidade à visão transmitida pelo fundador, por meio da divisão de competências entre os membros da família.

O legado também está presente no Projeto Anjo da Guarda, mantido pela Fundação José Silveira Coutinho. Criada para apoiar os filhos dos trabalhadores no contraturno escolar, a iniciativa atende aproximadamente 150 crianças com reforço educacional, cuidados de saúde e odontologia, esporte e cursos de iniciação profissional. Cerca de 70% dos atendidos são filhos de colaboradores e os demais são crianças oriundas de famílias em situação de vulnerabilidade social.

Uma frase de Benedito, recordada pelo filho, sintetiza a visão que orienta esse trabalho:

“A riqueza que gero hoje já é muito mais do que preciso. Trabalho para dividir riqueza com meus funcionários e com a sociedade em que estou inserido”, dizia meu pai, Benedito Coutinho
Luís Ricardo Coutinho
Diretor da Energética Santa Helena
Usina carbono negativo

Em 2024, a Energética Santa Helena removeu da atmosfera mais que o dobro do carbono que gerou em suas operações. Essa conquista foi certificada pelo programa Carbon Control, do governo do Estado. A empresa foi uma das primeiras indústrias do segmento e do Estado a obter esse selo verde.

A empresa emitiu 106.644,09 toneladas de CO2 equivalente na atmosfera com a produção em larga escala de bioenergia (etanol e bioeletricidade) e açúcar. Mas, por meio de suas práticas sustentáveis e regenerativas, removeu 215.955,21 toneladas de CO2 equivalente. O resultado é um saldo negativo de -109.311,12 toneladas de CO2 equivalente.

O programa Carbon Control é uma plataforma digital desenvolvida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) para gerenciamento das emissões e remoções de gases de efeito estufa (GEE).

Gestão das emissões de CO2 - Energética Santa Helena

Em toneladas - 2024

Pioneirismo voltado para o futuro

As trajetórias da Usina Sonora e da Energética Santa Helena mostram que pioneirismo, na bioenergia, não é apenas ter chegado primeiro. É uma capacidade que atravessa gerações: identificar oportunidades, enfrentar riscos, incorporar tecnologias e transformar a atividade industrial em desenvolvimento econômico e social.

Para a Biosul – Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul, a história do setor se confunde com a formação econômica do próprio Estado. A entidade destaca que as empresas levaram desenvolvimento aos municípios do interior e transformaram a vocação agrícola em uma cadeia industrial capaz de gerar energia, alimento, emprego, renda e oportunidades.

Essa capacidade de transformação continua presente. A cana-de-açúcar permanece como uma das bases da indústria, enquanto o milho amplia a plataforma produtiva. Ao mesmo tempo, as empresas avançam em bioeletricidade, biogás, biometano e outros produtos de baixo carbono.

Segundo a Biosul, a integração entre produção agrícola, indústria, tecnologia e disponibilidade de biomassa coloca o setor em posição estratégica diante da transição energética.

Nascida praticamente junto com Mato Grosso do Sul, a indústria da bioenergia ajudou a ocupar territórios, formar cidades e diversificar a economia. Agora, ao completar meio século de presença no Estado, se lança ao futuro da mesma forma como começou: abrindo caminhos.

“A partir da cana e, mais recentemente, do milho, Mato Grosso do Sul construiu uma plataforma de bioenergia que produz etanol, açúcar e bioeletricidade e avança em novas soluções"

Assista aos vídeos do programa

Playlist

2 Vídeos

Compartilhe esse conhecimento